quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

"Eu sou Malala" de Malala Yousafzai e Christina Lamb

A história da garota que defendeu o direito à educação e foi baleada pelo talibã




O obra "Eu sou Malala" deveria estar nas diversas listas que circulam nas redes sociais com o tema "Para expandir seu conhecimento de mundo". Adentrar o Paquistão, o vale Swat tão intimamente descrito pela visão da jovem paquistanesa, é uma daquelas experiências literárias que marca qualquer leitor.

A partir do seu discurso na ONU em favor do direito a educação de crianças do mundo todo, Malala Yousafzai recebeu o prêmio Nobel da Paz, em 10 de dezembro de 2014, sendo a mais jovem laureada da história. Além de vários prêmios, a jovem participou de documentários e foi correspondente para um blog. Vale salientar que seu livro chegou a completar 48 semanas na lista de bestsellers do New York Times.

Do nosso cenário pós-11 de setembro de 2001, o ISIS, os refugiados, as crianças de Aleppo, a leitura de "Eu sou Malala" nos leva a perspectiva do marginalizado, daquele que quase sempre tem sua história contada através de um filtro euro falocêntrico que tendencia a ódio e/ou medo. Malala responde a questões de senso comum do tipo "o que é o Islã?", "o que diz o Corão?", "por que as mulheres muçulmanas são obrigadas a se cobrir?" etc. A autora usa de passagens do Corão para questionar a visão do talibã, e, em última instância, defender que não há incompatibilidade entre educação, busca pelo conhecimento e a religião muçulmana.  

Ela retrata os obstáculos não somente a educação de meninas, mas de crianças e adolescentes barrados não apenas pelo talibã, mas também trabalho infantil, casamentos forçados e a pobreza. Para tanto, Malala apresenta uma contextualização histórica do seu país, do surgimento do talibã, da ação norte-americana no país, das guerras e embates civis que o país já participou.

Depois da tarde de 9 de outubro de 2012, quando um homem chamou por seu nome e desferiu três tiros na jovem, ela nunca mais retornaria a sua terra natal. Exilados na Inglaterra, a petição lançada na ONU com o slogan "Eu sou Malala" foi o propulsor da primeira lei de direito à educação no Paquistão. 

A co-autoria da obra, no entanto, amarga-me a leitura. Se, por um lado, temos a história contada por uma voz incomum, por outro, a presença da inglesa Christina Lamb indica uma ocidentalização da história, ou seja, uma adequação ao mercado editorial. Não vou me ater a tal conceito, no entanto, para quem tiver interesse de se aprofundar no assunto, indico a dissertação mestrado de Laísa Bastos, As Estratégias dos Best-Sellers e os Processos de Produção de Autobiografias de Mulheres Muçulmanas.   

E você, o que achou da obra?


"Meus pais nunca me aconselharam a abandonar a escola. Nunca. Embora amássemos estudar, só nos demos conta de quanto a educação é importante quando o Talibã tentou nos roubar esse direito. Frequentar a escola, ler, fazer nossos deveres de casa não era apenas um modo de passar o tempo. Era nosso futuro. [...] O Talibã podia tomar nossas canetas e nossos livros, mas não podia impedir nossas mentes de pensar." (YOUSAFAZI, 2013, p. 156).

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Espera

Esperei a vida sorrir pra mim,
Esperei uma felicidade sem fim.
Esperei uma completude material,
Aguardei uma notícia boa sair no jornal.

Tive esperança da sua avaliação jocosa,
mas restou me minha reação capciosa.
Voltei-me a uma amizade presente,
ou então a um amor bem fulgente.

Tudo que encontrei foram ausências
de pessoas absortas numa vida de intermitências.

Foi então que cansei.
Fui viver.


(Poesia e Fotografia de Jessica Tomimitsu Rodrigues)